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Da práxis do barraco e/ou certas ladainhas transdiscursivas

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Meio às disputas políticas nas quais pessoas trans* inserem-se – diga-se de passagem, deficientemente, desproporcionalmente, desempoderadamente – parece-me que o campo acadêmico tem uma potência especial para que nossas ladainhas, a saber, como colocam nossas vozes, sejam silenciadas perante a força dxs normais® que, inclusive, colonizam a recém-nem-tão-recém “estabelecida” corrente transfeminista no Brasil.

Xs Normais®, invertem nossas ladainhas, atribuem teorizações fantasmas sobre conceitos os quais se busca legitimação da transtoken acadêmica que, salvadora das essências etimológicas e pragmáticas, torna-se a única senão a desejada referência para críticas que sabe-se lá para onde estão voltadas.

Segue que nossas opiniões, teorizações, argumentos e quetais – em suma, nossas ladainhas – não passam de meros barracos, com objetivos nefastos de acesso+usurpação de espaços acadêmicos que hegemonicamente pertenceram às pessoas pesquisadoras cisgêneras que sentaram (e sentam) confortáveis em suas posições enunciativas no topo da CisTorre de Marfim®.

A quem cabe pesquisar identidades trans*? Às pessoas, cis e trans*, que compreendem seu local de fala/político e sua posição enunciativa nos discursos que mantêm uns à margem e outrxs na posição de produtorxs do Legítimo Conhecimento®, produtorxs os quais, nós, trans*, devemos agradecer pela solene e divina existência, sem a qual jamais teríamos nada socialmente.

Sim, agradeço aos meus colegas cisgêneros por me salvar da(s) minha(s) ousadia(s) acadêmica, das escapulidas teóricas, as rapidinhas argumentativas, das tentações transdiscursivas, por utilizar minha voz, – sempre, claro, em meu benefício – por colonizar minhas opiniões e desejos. Agradeço a essas pessoas por trabalharem para me manter à margem – O Campo, afinal, nunca fez parte da Casa. Elxs sabem muito bem, bem de mais, o que é melhor para mim, residente dos quintais discursivos referentes à Casa.

Sim, aos/às Mestrxs cis do transdiscurso, todo meu respeito e consideração, de grata que sou pelos salvadores Biológicos®, Genéticos® e quetais, da minha sujeira intelectual, da minha ladainha transexual, da práxis do barraco – bonita, apenas quando evocada pelxs Mestrxs, mas filhx ilegítimx bastardx quando evocada pelas trans*.

Das epistemés trans*, me reserva o Campo, o Objeto, o Corpo, a Pesquisa, as posições ilustres de gratidão. Fé.

Decorre que, certamente, as epistemés trans* sempre pertenceram à ordem dxs senhorxs Normais® de nomes respeitadxs, TransJesuítas bem intencionadxs.

Mas que ladainha estou novamente a dizer?

Desculpe a nossa falha.

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Sobre Hailey

Tradutora residente em São Paulo; Pesquisadora das áreas de Linguística, Teoria Queer, Gênero e (Trans)feminismo. Transfeminista e ativista por Feminismo Intersecional.

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